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terça-feira, 30 de outubro de 2007

Fumantes querem parar!

83% dos fumantes dizem que gostariam de parar:

Dalva Maria de Mendonça, 54, é uma bem-sucedida secretária executiva em Brasília, mas coleciona fracassos quando o assunto é parar de fumar. Fumante desde os 14 anos, ela busca parar desde os 29. Nesses 25 anos, já tentou de tudo: aplicação de raio laser no lóbulo da orelha, adesivo para repor nicotina, chiclete, remédios e piteiras. "Só não coloquei o cigarro no copo d`água e tomei no dia seguinte", conta. Dalva é um caso extremo pela dificuldade, mas seu desejo é a regra: 83% dos fumantes querem parar de fumar, segundo pesquisa feita pelo Datafolha com 2.771 pessoas a partir de 16 anos (a margem de erro é de dois pontos percentuais). Como Dalva, 69% dos fumantes já tentaram parar e fracassaram.O cigarro é a principal causa de morte evitável, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). No Brasil, 200 mil morrem por ano de doenças relacionadas ao tabaco. Pesquisas mostram que o percentual de fumantes que quer deixar o vício sempre supera os 60%. Nos EUA e na Grã Bretanha, essa taxa é de 75% e 73%, respectivamente. O surpreendente no caso brasileiro é o fato de o país ter índices que superam EUA e Inglaterra. A taxa dos que querem deixar de fumar é um dos melhores indicadores do nível de informação sobre os males do fumo, segundo a médica Vera Luiza da Costa e Silva, que dirige em Washington a área de combate ao tabagismo da OPAS (Organização Panamericana da Saúde). "O Brasil vai muito bem em informação sobre fumo, parece até um país nórdico", afirma Vera. "A foto no maço universalizou o conhecimento sobre os problemas do cigarro". As imagens nos maços foram adotadas em 2002. No ano seguinte, as fotos ficaram maiores e mais chocantes. O Brasil foi o segundo país do mundo a usar esse tipo de contra-propaganda, depois do Canadá. A União Européia, vanguarda em saúde pública, só tornou obrigatórias as fotos em 2004. Se o Brasil é uma Noruega nos alertas, o sistema de tratamento patina no Terceiro Mundo, segundo a psiquiatra Luizemir Lago, diretora do Centro de Referência para Álcool, Tabaco e Outras Drogas, do governo paulista. O SUS (Sistema Único de Saúde) só começou a fazer tratamentos em larga escala em 2005. O INCA (Instituto Nacional de Câncer) estima que 19 milhões querem parar de fumar, mas só 44.269 foram atendidos nesses três anos o equivalente a 0,2%. "É muito pouco", diz Tânia Cavalcante, que coordena o programa de combate ao tabagismo do INCA. "Estamos construindo um sistema e isso leva tempo no Brasil".Como o SUS não contava com profissionais especializados nesse tipo de tratamento, o programa começou do zero, com o treinamento de médicos. Quantidade de pacientes não é o único problema do programa. A entrega dos remédios – adesivos, chiclete e bupropiona – é irregular, segundo Luizemir. No ano passado, por exemplo, São Paulo recebeu remédios duas vezes, de acordo com Luizemir. Se o governo paulista não comprasse as drogas por conta própria, os tratamentos teriam de ser interrompidos. O INCA confirma que a entrega de remédios sofreu interrupções porque a indústria não tinha estoques. Não que o tratamento seja baseado em drogas. "Todo mundo quer uma pílula mágica para deixar de fumar e isso não existe", diz Tânia.Num protocolo criado pelo INCA, há a estimativa de que 40% deixam o cigarro sem recorrer a remédios. Os que precisam de drogas também são submetidos a sessões de terapia. "Só remédio não funciona porque é necessária uma mudança de comportamento. A pessoa precisa desenvolver habilidades para substituir o cigarro", afirma Tânia.A terapia é imprescindível porque a dependência do cigarro envolve um componente químico e um vetor comportamental, segundo Luizemir: "Há pessoas que não se reconhecem sem o cigarro na mão. Para deixar o cigarro é preciso reformatar a personalidade". É por isso que os especialistas repudiam a idéia de que faltou vergonha na cara aos que fracassam. "Não é uma questão moral", diz Tânia. A dependência de cigarro é tão grave quanto a de cocaína e de heroína.
Fonte : Folha de São Paulo

Um comentário:

Eduardo Buys e um punhado de brasileiros por um Brasil possível. disse...

Caro Jorge Schemes,
seu blog é muito importante, para a conscientização de todos, fumantes ou não. E traz informações super relevantes. Logo em seguida, estaremos publicando texto abaixo, como post de nosso Blog do Varejo www.varejototal.zip.net, onde procuramos manter espaço de reflexão, entre amigos e colegas do varejo - temos loja aqui no Rio.
Parabéns,
Eduardo Buys
"FUMO E ALCOOL: - DROGAS COM LICENÇA PARA MATAR


Drogas, porque permitidas, não deixam de ser drogas.

Tem uma geração meia idade, e ainda mais velha, sobrevivente, que quando jovem, o diferencial era fumar e beber, carimbando sua entrada no mundo dos adultos. Santa ignorância de pais comprando pacotes de cigarros e se embebedando com seus filhos, comemorando a entrada na Universidade.

A rapaziada que chegou depois, está meio sem desculpa, pois ninguém mais ignora os malefícios de qualquer vício, quanto mais o de substâncias que agridem a saúde e levam para a incapacitação e morte. Tudo muito doloroso,tanto para quem vai desta para outra quanto para quem fica na saudade também. Hoje a conscientização é grande, em que pesem consciências por todo lado. O absurdo persiste. Resta seguir as quixotescas exceções, do enfrentamento de José Serra à industria do fumo, um exemplo para o planeta. É acabar a permissividade em merchandisings e novelas hollywoodianas, a apologia do alcool.

A boa notícia, no blog Tabagismo Hoje, é :

Fumantes querem parar! 83% dos fumantes dizem que gostariam de parar




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