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Mais de Cem Razões Para Largar o Cigarro | Saiba Quais São | Compartilhe

O cigarro causa 8 milhões de mortes por ano e, se você (ou alguém que você ama) ainda fuma, pode vir a fazer parte dessa lista. Em compensação, os benefícios de parar são quase imediatos. Apenas 20 minutos após deixar de fumar, a frequência cardíaca melhora. Entre um e nove meses, a tosse e a falta de ar diminuem. Entre cinco e 15 anos, o risco de sofrer um acidente vascular cerebral (derrame) se compara ao de um não fumante. Em 15 anos, o risco de doença cardíaca se torna igual ao de alguém que nunca fumou. A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem uma lista com mais de cem razões para uma pessoa banir o cigarro de sua vida. Escolhi apenas 20, para servirem de inspiração como resolução de fim de ano. Boa sorte e um ótimo 2026!

O uso de tabaco é responsável por 25% de todas as mortes por câncer no mundo.

Mais de um milhão de pessoas morrem anualmente devido à exposição ao fumo passivo.

Os cigarros continuam sendo uma causa importante de incêndios acidentais e mortes resultantes deles.

Cigarros eletrônicos também expõem não fumantes e pessoas ao redor à nicotina e a outros produtos químicos nocivos.

Tudo fica com mau cheiro: sua pele, suas roupas, seus dedos e seu hálito. A casa inteira!

Faz os dentes ficarem amarelos e cria um excesso de placa bacteriana.

Fumar envelhece a pele prematuramente ao desgastar as proteínas que lhe dão elasticidade.

Filhos de fumantes sofrem com redução da função pulmonar, o que pode continuar a afetá-los na forma de distúrbios respiratórios crônicos na idade adulta.

O uso de tabaco pode impactar negativamente as interações sociais e os relacionamentos.

O fumo contribui para a pobreza ao desviar os gastos domésticos de necessidades básicas, como alimentação e moradia, para o tabaco.

O tabagismo sobrecarrega a economia global com um custo estimado de US$ 1,4 trilhão em despesas de saúde para tratar as doenças causadas pelo fumo e em perda de capital humano devido a doenças e mortes.

Fumantes têm maior probabilidade de sofrer de infertilidade. Parar reduz a dificuldade em engravidar, partos prematuros, bebês com baixo peso ao nascer e abortos espontâneos.

Fumar está associado à disfunção erétil. O fumo restringe o fluxo sanguíneo para o pênis, gerando incapacidade de obter uma ereção. Também diminui a contagem de espermatozoides, a motilidade e altera o formato dos espermatozoides nos homens.

Mais de um milhão de crianças trabalham no cultivo de tabaco, o que afeta não apenas a sua saúde, mas também sua capacidade de frequentar a escola.

Os produtos de tabaco aquecido são, por si só, produtos de tabaco; portanto, mudar dos convencionais para esses não equivale a parar de fumar.

Fumantes têm até 22 vezes mais probabilidade de desenvolver câncer de pulmão durante a vida do que não fumantes. O tabagismo é a principal causa da doença, sendo responsável por mais de dois terços das mortes pela enfermidade no mundo.

Um em cada cinco fumantes desenvolverá Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) ao longo da vida, especialmente aqueles que começam durante a infância e adolescência.

O tabagismo mais do que duplica o risco de transformar a tuberculose de um estado latente para um estado ativo, sendo conhecido por agravar a progressão natural da doença. Cerca de um quarto da população mundial tem tuberculose latente.

Fumantes têm até duas vezes mais risco de sofrer um derrame e um risco quatro vezes maior de doenças cardíacas. A fumaça danifica as artérias do coração, causando o acúmulo de placas e o desenvolvimento de coágulos, restringindo assim o fluxo sanguíneo e levando, eventualmente, a tais eventos.

Fumantes correm um risco significativamente maior de desenvolver leucemia mieloide aguda; câncer nas cavidades nasais e seios paranasais; câncer colorretal, renal, hepático, pancreático, estomacal ou ovariano; e câncer do trato urinário inferior (incluindo bexiga, ureter e pelve renal). Alguns estudos demonstraram uma ligação entre o tabagismo e o risco aumentado de câncer de mama, particularmente entre fumantes intensas e mulheres que começam a fumar antes da primeira gravidez.

Acesse a lista Completa Aqui!


Em 30 anos, um ex-fumante pode economizar até R$ 1 milhão - 29 de Agosto

Hoje, 29 de agosto, é o Dia Nacional de Combate ao Fumo. Além dos benefícios à saúde, parar de fumar um maço de cigarro por dia, economizar e investir pode gerar reserva de mais de R$ 1 milhão (R$ 1.028.274,92) em 30 anos. 
A conta é simples, se um maço custa em torno de R$ 8, um fumante que consome um maço de cigarro por dia gastará a mais, por mês, R$ 240. Ou seja, além de perder dinheiro, ainda pode perder a vida. [Fonte: DC]

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Parar de fumar deixa mais feliz


A melhor decisão
Deixar o cigarro contribui para o bem-estar mental, tendo o mesmo efeito que o uso de antidepressivos, aponta um estudo publicado no periódico médico British Medical Journal (BMJ), na edição disponível a partir [do dia 14 de fevereiro]. De acordo com os pesquisadores britânicos, que revisaram 26 estudos sobre o tema, o efeito de parar de fumar pode ser “equivalente, ou superior, ao de antidepressivos utilizados no tratamento da ansiedade, ou de transtornos de humor”. Os fumantes incluídos nos trabalhos eram “medianamente dependentes”, com idade média de 44 anos, e fumavam de 10 a 40 cigarros por dia. Do total, 48% eram homens. Eles foram entrevistados antes de sua tentativa de parar de fumar e, novamente, depois de conseguirem largar o hábito, em uma janela que variou de seis semanas a seis meses.

Os que conseguiram deixar o cigarro estavam menos deprimidos, menos ansiosos, menos estressados e com uma visão positiva da vida do que os que não conseguiram abandonar o vício. A melhora foi perceptível nas pessoas afetadas por transtornos mentais logo que pararam de fumar. Nenhuma avaliação de acompanhamento do estado mental voltou a ser feita, porém, em especial nos casos dos ex-fumantes que tiveram recaídas.

A coordenadora do estudo, Genma Taylor, da Universidade de Birmingham, disse esperar que os resultados permitam dissipar falsas ideias, como a que atribui ao cigarro qualidades antiestressantes, ou relaxantes. “Comparando não fumantes e fumantes, encontramos uma associação entre uma pior saúde mental nos fumantes”, acrescentou.

Segundo números divulgados em julho passado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o cigarro seria responsável pela morte de pelo menos seis milhões a cada ano, número que pode atingir oito milhões até 2030. [Fonte: Bem Estar]

Os mitos e verdades sobre parar de fumar

O tabagismo é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a principal causa de morte evitável em todo o mundo. De acordo com dados do Inca, o Insituto Nacional do Câncer, o cigarro é o responsável pela morte de 7 brasileiros todos os dias.

Outros dados da OMS revelam que um quinto da população mundial é viciada em cigarro e um terço é tabagista passivo. Em média, os fumantes morrem 14 anos antes que os não fumantes, e metade dos tabagistas que não superam o vício, acabam morrendo por seu hábito.
O grande problema é que vencer tal vício não é algo tão fácil. A nicotina causa dependência e provoca alterações físicas, emocionais e comportamentais no fumante que após um tempo, passa a ter dificuldades para largar o cigarro. Outro fato relevante é que muitos fumantes, apesar de quererem parar de fumar, alegam que não sabem como conseguir.
Foto: Think Stock


O pneumologista Roberto Rodrigues Junior esclarece os principais mitos e verdades que envolvem o ato de parar de fumar.

O tabagismo não tem cura
Mito. O tabagismo é uma doença com vários tratamentos comprovadamente eficazes que podem levar a pessoa à cura, obtendo ganho potencial de até dez anos de vida e aumento na qualidade de vida.
Parar de fumar pode levar a pessoa a engordar.
Verdade, na maioria dos casos. As pessoas engordam de 3 a 6 kg temporariamente. Nem todas as pessoas engordam quando param de fumar. O que acontece é que, ao acabar com o vício do tabagismo, os sentidos do olfato e paladar ficam mais aguçados, os ex-fumantes sentem mais cheiros e sabores, deixando-os com desejo de comer mais. Além disso a nicotina aumenta a atividade metabólica do organismo. Por outro lado, as drogas utilizadas no tratamento ajudam a diminuir a fome. O ganho de peso deve ser controlado com reeducação alimentar e atividade física.
Mulheres têm mais dificuldade para parar de fumar do que os homens.
Verdade. As mulheres têm mais medo de ganhar peso com a interrupção. Cabe salientar que o tabagismo causa mais danos do que a obesidade, e portanto este argumento do ganho de peso não tem sustentação. As pessoas devem ser encorajadas a realizarem atividades físicas e buscarem uma dieta mais saudável, propiciando ainda mais qualidade de vida, já iniciada com a interrupção do fumo.
Mesmo quem fumou por muitos anos, pode recuperar a saúde ao parar de fumar.
Verdade. Parar de fumar sempre faz bem. Quando a pessoa larga o vício, recupera alguns anos de vida potencialmente perdidos se continuasse com o vício, e ganha muito em qualidade de vida. Quando a pessoa já está doente, parar de fumar auxilia na recuperação.
Foto: Think Stock


O ex-fumante pode ser apenas um fumante ocasional, se quiser.

Mito. O tabagismo é considerado uma doença e causa uma dependência séria pelo uso da nicotina, que é uma droga altamente viciante. O uso ocasional da droga é um passo certo para o consumo frequente.
Parar de fumar usando chiclete e ou adesivo de nicotina é trocar um vício por outro.
Mito. As drogas utilizadas no tratamento preconizado para o tabagismo são de uso por tempo limitado, de 3 a 6 meses.
É possível parar de fumar "de uma vez só", mas é mais difícil do que parar "aos poucos".
Mito. É possível parar com data marcada, desde que com o uso de tratamentos médicos para alcançar o objetivo.
Os pulmões se regeneram após parar de fumar.
Mito. O pulmão não se regenera, porém, as defesas do órgão não ficam mais inibidas e começam a agir. Com o decorrer do tempo, os ex-fumantes diminuem o risco de adoecimento por várias doenças, incluindo pneumonia, tuberculose e gripe.
Foto: Think Stock


Passar a usar os chamados cigarros "light" pode ajudar a parar de fumar. Tais cigarros são menos prejudiciais.

Mito. As diferentes linhas de cigarro são jogadas mercadológicas da indústria do tabaco, todos os tipos são prejudiciais. Alguns cigarros têm menor concentração de nicotina e as pessoas acabam fumando em maior quantidade para suprir o vício, ou seja, fumam mais.
Parar de fumar deixa a pessoa mais estressada.
Verdade. Pelo menos, a curto prazo. A nicotina aumenta o poder de concentração e, ao ser tragada, faz com que o corpo libere serotonina. É isso que dá a sensação de prazer aos fumantes, porém ela é momentânea. O ideal para quem deseja parar de fumar é buscar outras formas de obter prazer, como a prática de esportes, por exemplo.
Com força de vontade todos os fumantes podem largar o vício.
Mito. Algumas pessoas acreditam que só fuma quem não tem "vergonha na cara", mas não é verdade. O tabagismo é considerado uma doença e causa uma dependência séria pelo uso da nicotina, que é uma droga altamente viciante. Somente cerca de 5% das pessoas que desejam parar de fumar por conta própria, sem auxílio médico, continuam livres do cigarro após um ano da data de interrupção.[Fonte: Yahoo]

Fumante passa por cinco fases antes de decidir parar

Fantástico - Dr. Dauzio Varella
A tomada de decisão para largar o cigarro resulta de um processo que costuma levar anos ou décadas para se completar. Especialistas demonstram que, do ponto de vista didático, é possível reconhecer cinco estágios pelos quais a maioria dos fumantes passa antes de jogar fora o maço.
A primeira é a Fase de pré-contemplação, quando os fumantes não pensam em mudar seu comportamento e racionalmente veem mais vantagens em fumar do que deixar de fazê-lo. Já a Fase de contemplação acontece quando o fumante sente no corpo alguns problemas causados pelo fumo, tenta reduzir o número de cigarros, mas ainda não se convenceu completamente de que vale a pena ficar livre da dependência.
Na Fase de preparação, o fumante já sabe que o cigarro é seu inimigo, pensa seriamente em largar, mas ainda lhe falta coragem para adotar medidas radicais. É na Fase da ação que finalmente o fumante se confronta com sua condição de dependente e toma a decisão de parar. Muitos dos que estão nesta fase chegam a marcar data para fumar o último cigarro. Mas a etapa mais difícil é mesmo a Fase de manutenção, porque muitos hábitos associados ao fumo precisam ser modificados.
Agora, se houver recaídas, não há problema. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que os fumantes fazem, em média, três ou quatro tentativas antes de conseguir parar de fumar definitivamente.[Fonte: UNIAD]

Mensagens de telemóvel a incentivar quem tenta largar o tabaco surtem efeito, diz estudo

Um estudo realizado no Reino Unido sugere que enviar mensagens de telemóvel de apoio a quem esteja a tentar deixar de fumar pode chegar a duplicar a vontade do fumador em deixar o vício, escreve a BBC.

A investigação durou seis meses. Durante as primeiras cinco semanas, os fumadores recebiam cinco mensagens de incentivo por dia. No restante período de tempo, três mensagens semanais continuavam a apoiar os participantes na luta contra o vício.

As conclusões do estudo, levado a cabo pela London School of Hygiene and Tropical Medicine, indicam que 10,7 por cento dos voluntários deixaram de fumar impulsionados por mensagens de apoio como «hoje é o dia de deixar o vício para sempre».

Por oposição, os fumadores que tentavam largar o tabaco mas não receberam qualquer SMS de incentivo representam 4,9 por cento.

5.800 fumadores britânicos participaram na investigação.

As mensagens «ajudam as pessoas a resistir à tentação de fumar», conclui a investigadora Carolina Free perante os resultados do estudo. [Fonte: TVi24]

Tabaco: Descoberta de receptores da nicotina na língua abre caminho a novos tratamentos...

A descoberta por investigadores portugueses e norte-americanos de receptores de nicotina nas papilas gustativas abre caminho a novas estratégias de tratamento do tabagismo, disse hoje à Lusa um dos seus autores.

Segundo Albino Oliveira-Maia, "a aplicação de antagonistas nicotínicos na língua, como meio de modulação dos efeitos periféricos da nicotina, poderá ser um adjuvante importante nessas estratégias".

Num estudo publicado segunda-feira na edição online da revista norte-americana Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), os cientistas descrevem duas vias do sabor que são activadas pela nicotina e a forma como essas vias são integradas em áreas de processamento sensorial no cérebro.

"Essas vias do sabor são vias neurais periféricas, ou seja, vias que estão fora do cérebro e que transmitem informação sensorial ao cérebro", explicou este investigador e médico que está a fazer pós-doutoramento nos Estados Unidos.

O consenso geral é que a nicotina se faz sentir principalmente por efeitos directos no cérebro, ao ser absorvida nos pulmões, entrar na corrente sanguínea e actuar em receptores nicotínicos existentes nos neurónios cerebrais.

O que agora se descobriu foi a existência de outras vias de reconhecimento da nicotina que provavelmente contribuem para a dependência.

O trabalho surgiu na sequência de estudos anteriores que apontavam para a relevância dos efeitos sensoriais do tabaco no processo de habituação, nomeadamente através da activação do sistema olfactivo ou da irritação das vias respiratórias.

De acordo com Oliveira-Maia, essa informação foi negligenciada, até que em 2007 foi publicado um artigo na revista Science, de que foi co-autora Hanna Damásio, segundo o qual uma lesão numa região do cérebro chamada ínsula facilita o abandono rápido e duradouro do tabagismo.

Esse trabalho foi inspirador para o estudo agora publicado na medida em que a convergência das vias do sabor numa mesma parte daquela área do cérebro "abria a hipótese de questões relacionadas com o sabor da nicotina estarem subjacentes a funções da ínsula no tabagismo", disse o cientista.

Na investigação, ratinhos de laboratório foram geneticamente modificados para que não tivessem a proteína TRPM5, responsável pelo reconhecimento de sabores amargos, como a nicotina ou o quinino.

Verificaram então que há uma via activada pela nicotina que depende da TRPM5 e que mesmo na ausência dessa proteína há respostas à nicotina.

Demonstraram a seguir que estas respostas são dependentes dos mesmos receptores nicotínicos que são responsáveis pelos efeitos directos da nicotina no cérebro.

Depois, ao fazerem testes comportamentais para medir a capacidade de os animais distinguirem a nicotina do quinino, observaram que a inibição dos receptores nicotínicos na língua diminui essa capacidade.

Os investigadores fizeram então registos neurofisiológicos na ínsula de outros ratos enquanto estes consumiam nicotina e quinino e constataram que a actividade dos neurónios naquela área também era capaz de distinguir entre as duas substâncias.

"Estes achados não contradizem, de forma nenhuma, a importância dos efeitos directos da nicotina no cérebro", sublinha Oliveira-Maia.

"No entanto, demonstram a existência de vias sensoriais através das quais a nicotina pode modificar a actividade do cérebro por acção periférica, neste caso nas papilas gustativas" - concluiu.

A equipa de investigadores sugere que o desenvolvimento de medicamentos para aplicar nos receptores bucais da nicotina de forma tópica poderá reduzir drasticamente os efeitos secundários dos tratamentos actuais.

Albino Oliveira-Maia, actualmente investigador pós-doutoral no Departamento de Neurobiologia da Universidade de Duke, fez este estudo como parte do doutoramento, que terminou em Novembro e que resultou de uma colaboração entre aquela instituição, a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e o IBMC (Instituto de Biologia Molecular e Celular).

Parar de fumar? É mais fácil se for em grupo

Por vários anos, os fumantes passaram por verdadeiras "provações" para acabar com o vício. No entanto, novos estudos revelam que parar de fumar raramente constitui uma decisão individual. De acordo com os especialistas, os fumantes tendem a parar com a prática em grupo. Assim , a pesquisa também alerta as campanhas contra o fumo para direcionarem o foco de suas propagandas aos grupos, além de mostrar que parar de fumar pode ter um efeito significativo em toda uma rede social.
O Dr. Nicholas Christakis, da Faculdade de Medicina de Harvard, e James Fowler, da Universidade da Califórnia, São Diego, responsáveis pela pesquisa, acompanharam fumantes e não-fumantes por 32 anos, de 1971 até 2003. Em determinado período, a porcentagem de adultos fumantes nos Estados Unidos caiu de 45% para 21%. Os pesquisadores descobriram, através de análises dessas pessoas e suas redes sociais, um efeito impressionante: com o passar dos anos, os fumantes criaram pequenos grupos sociais e foram parando com o vício em massa.
Após esses grupos desaparecerem, os que restavam eram deixados às "margens" da sociedade, isolados, com poucos amigos e contatos sociais. "Não é apenas como uma pequena estrela se apagando. São inúmeras constelações desaparecendo de uma vez só", comparou o Dr. Christakis. "Os fumantes costumavam ser o centro da festa. Nós sabemos que o cigarro é ruim para a saúde física de uma pessoa. Mas esse estudo mostrou que ele também pode causar danos à sua 'saúde social'", completou Fowler.
Os pesquisadores avaliaram 5.124 pessoas, que apresentaram 53.228 amigos, parentes e vizinhos como parte de sua rede social. Em média, os fumantes se organizavam em grupos de três. Com o tempo, o número de grupos diminuía, mas os que já existiam permaneceram com a mesma quantidade de integrantes. A educação também se mostrou um fator importante no comportamento dos fumantes. Aqueles com nível maior de educação eram facilmente influenciados pelos amigos. Além disso, certos contatos sociais eram mais influentes que outros.

Aumenta procura feminina por clínicas que ajudam a abandonar o cigarro

Médico explica por que elas sofrem mais com o tabagismo do que os homens.Mulheres são mais prejudicadas pelo fumo e têm mais dificuldade para parar.

O número de mulheres que procuram ajuda médica para abandonar o cigarro tem aumentado consideravelmente nos últimos anos. Ao ponto de elas serem hoje a maioria nas clínicas do tipo, de acordo com o pneumologista Sérgio Ricardo Santos , coordenador do Núcleo de Apoio à Prevenção e Cessação do Tabagismo (PrevFumo) da Universidade Federal Paulista (Unifesp). Só nos consultórios do Prevfumo, segundo o médico, elas já são 60%. E o número não pára de aumentar. Algo justificável por dois importantes fatores: as mulheres são muito mais prejudicadas pelo hábito de fumar e também têm mais problemas para abandonar o vício. A dificuldade é velha conhecida da professora paulistana Tatiana Athaydes, de 26 anos, que já tentou largar o cigarro quatro vezes. “Na primeira, fiquei cerca de cinco meses. Na segunda, quase um ano. Na terceira e na quarta, cerca de um mês”, contou ela ao G1. Durante todas as tentativas, a experiência foi traumática. “Ficava muito nervosa e ansiosa, começava a descontar tudo isso na comida e acabava sendo até um pouco grossa com as pessoas ao meu redor”, conta Tatiana. “Me sentia na necessidade de cortar totalmente a minha vida social para não ter contatos com fumantes pelo menos no início, mas não consigo fazer isso”. Esse comportamento não é estranho a Santos. “Há dois principais fatores que dificultam a vida das mulheres na hora de parar de fumar: o risco de depressão e o medo de engordar”, explica ele. As mulheres já têm uma tendência maior que a dos homens de cair nas armadilhas da depressão clínica. “Quando param de fumar são dois fatores de risco que se unem”, conta o médico. Os sintomas de tristeza e a necessidade de se isolar, como os que aconteceram com Tatiana, são o que normalmente fazem as mulheres terem recaídas. O segundo fator, o medo de engordar, tem um poder também bastante considerável. A mulher abandona o cigarro e assim que percebe o aumento no peso, volta a fumar. “Ela dá muito mais importância à aparência do que os homens e isso complica bastante”, afirma Santos. No entanto, apesar das dificuldades serem maiores, os benefícios de parar de fumar para as mulheres também acabam sendo mais elevados.

Riscos para a saúde
Em comparação com os homens, as mulheres não apenas apresentam um risco maior de desenvolver toda e qualquer doença relacionada ao tabagismo, como também têm um número maior de enfermidades associadas ao hábito – por causa dos problemas que fumar causa na gestação.

Entenda os males causados pelo fumo na gravidez
Tentar não engravidar também é outra fonte de preocupação. Mulheres que tomam anticoncepcionais estão proibidíssimas de sequer pensar em cigarro. Tanto o fumo quanto o contraceptivo “engrossam” o sangue e aumentam muito o risco de uma trombose. “O risco é elevadíssimo”, alerta Sérgio Ricardo Santos , “e aumenta com outros fatores, como viagens longas, obesidade e acidentes prévios”. Tentar conseguir uma gravidez, como já seria esperado, também se complica pelo fumo. “O cigarro é a principal causa de infertilidade em mulheres”, explica o pneumologista. “Em boa parte dos casos, o problema se resolve assim que a mulher pára de fumar”, conta ele.

Tratamento
Mesmo com tudo tão difícil, Sérgio Ricardo Santos avisa: é possível, sim, parar de fumar. E os especialistas na área são cuidadosos quando estão tratando de mulheres. “O médico leva em consideração todo o ciclo hormonal e os fatores de risco da mulher na hora de fazer o tratamento e receitar a medicação”, garante o professor.

Saiba como fazer para parar de fumar
A professora Tatiana Athayde reconhece a importância da ajuda de um especialista. “A ausência de acompanhamento médico e o não-uso de medicamentos é algo que talvez tenha me prejudicado bastante em todas as minhas investidas”, afirmou ela. Neste 8 de março, Dia da Mulher, pode ser a oportunidade perfeita para todas as fumantes se conscientizarem e procurarem ajuda. Enquanto isso, veja se você está preparada para parar:

Lei antitabaco espanhola fez 1,2 milhão deixar de fumar

Inicialmente polêmica e contestada tanto por fumantes, como por empresas do setor e revendedores, a Lei do Tabaco, em vigor na Espanha há praticamente dois anos, tem contribuído para uma redução significativa do número de dependentes do cigarro. A estimativa é que, desde a entrada em vigor da lei, já tenham deixado de fumar mais de 1,2 milhão de pessoas na Espanha, empurrando os fumantes para um grupo cada vez menor na sociedade, hoje inferior a 24%.Não que isso se note na maioria dos cafés e restaurantes do país. Apesar de a lei já vigorar há dois anos, as infrações se sucedem, quer por não se adaptarem os espaços ao fumo, quer por não se limitar a venda de cigarros a menores. Tanto a administração pública, como a sociedade civil denunciam que a aplicação da lei continua sendo desrespeitada e que as inspeções são insuficientes ou fracas, com queixas paralelas sobre a falta de programas públicos para deixar de fumar e sobre o custo de alternativas medicamentosas para deixar o vício.Limitando os locais de consumo e os pontos de venda de cigarros, a lei proíbe o fumo em qualquer local público - incluindo empresas - e obriga, no setor de alimentação, que espaços com mais de 100 metros quadrados criem áreas separadas para fumantes. Os locais menores devem optar por permitir ou proibir o fumo.Na ocasião da entrada em vigor da lei, se especulou sobre as eventuais perdas de dezenas de milhares de postos de trabalho no setor, afetando empregos diretos e indiretos, incluindo funcionários de quiosques e postos de venda de jornais.Ainda não se tem um número preciso desse eventual impacto, em particular porque estudos demonstram que o setor de alimentação - dito como um dos que mais seria afetado - está entre os que menos respeita a lei.Um estudo da Organização de Consumidores e Utilizadores (OCU) da Espanha, por exemplo, diz que apenas 10% dos bares e 15% dos restaurantes de menos de 100 metros quadrados optaram por serem espaços livres do cigarro.Cerca de 44% tem sinalização inadequada no exterior, 85% têm áreas para fumantes demasiado amplas, 37% não tem separação física adequada entre as duas partes e cerca de 7% das padarias ainda permitem fumar.Nas empresas, é possível ver mais gente fumando à porta, na rua, mas nos cafés e restaurantes, a lei foi um mero susto passageiro.As próprias máquinas de venda automática de cigarro, comuns no país, costumam se encontrar permanentemente funcionando, mesmo com a obrigação de ter um comando à distância para evitar o uso por menores.Em bares cheios, ninguém tem tempo para controlar quem compra cigarros.Em Portugal, a nova legislação sobre o tabaco entra em vigor em 1º de janeiro e, em linhas gerais, proíbe o fumo em espaços fechados, como locais de trabalho, de atendimento direto ao público, estabelecimentos de saúde, áreas de serviço e postos de gasolina, centros comerciais e estacionamentos cobertos. Será ainda proibido fumar nos transportes públicos e em bares, restaurantes e similares, incluindo nos que possuem salas ou espaços destinados a dança.A lei prevê, contudo, algumas exceções. Todos os estabelecimentos com menos de 100 metros quadrados poderão optar entre proibir ou permitir o fumo, desde que obedeçam aos seguintes requisitos: as áreas devem estar devidamente sinalizadas e separadas fisicamente das demais instalações ou disporem de dispositivo de ventilação adequado ou sistema de extração para o exterior.As multas para quem tragar um cigarro em espaços fechados e fora das áreas destinadas a fumantes varia entre 50 e 750 euros (R$ 130 e R$ 2.000) e, para proprietários de estabelecimentos privados ou órgãos diretivos de serviços da Administração Pública que não cumprirem a legislação, entre 50 e 1.000 euros (R$ 130 e R$ 2.600). Por António Sampaio, da Agência LusaMadri, 17 dez (Lusa).

Cigarro: apague o mal da sua saúde


O tabagismo é apontado como a principal causa de morte evitável em todo o mundo!

Mesmo sabendo de todos os riscos, muitos fumantes ainda insistem em dizer que o prazer compensa tudo - até mesmo o risco de prejudicar a própria saúde. Será mesmo? Além de aumentar as chances de desenvolver doenças pulmonares, câncer, infarto, derrames e envelhecimento precoce, a pessoa tem menos disposição, gasta um dinheirão por mês para alimentar o vício e ainda prejudica a saúde de seu vizinho.




Durante décadas o cigarro foi considerado sinônimo de charme, beleza e sofisticação. A indústria cinematográfica imortalizou e glamourizou o ato de fumar. Hoje, estima-se que há mais de 250 milhões de mulheres fumantes no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). O que já foi chique no passado é causa de preocupação no presente.O tabagismo é apontado como a principal causa de morte evitável em todo o mundo. Só no Brasil são cerca de 200 mil óbitos por ano em conseqüência de doenças relacionadas ao tabaco. Entre a gama de males que o cigarro pode desencadear ou agravar estão problemas no sistema respiratório e cardiovascular, transtorno na gravidez, envelhecimento precoce, impotência sexual masculina e câncer de pulmão.


Entendendo as enfermidades: A fumaça do cigarro tem, aproximadamente, 4,7 mil substâncias químicas, sendo que cerca de 60 delas são cancerígenas. "Logo, é fácil explicar a incidência 20 vezes maior de câncer de pulmão em fumantes do que em não fumantes", adverte o pneumologista Clovis Botelho(MT), autor do livro Você também pode parar de fumar, da Editora Adeptus. O câncer de pulmão está no hall das principais epidemias mundiais, só perdendo para a AIDS. O tabaco também é responsável por outros tipos de câncer como de boca, laringe, bexiga e mama. No entanto, o de pulmão ainda é o mais temido por ser de difícil diagnóstico dentro de um tempo possível de cura. O fumante ainda é mais vulnerável a desenvolver Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), que nada mais é do que um misto de bronquite crônica com enfisema pulmonar. A pessoa que sofre desse mal tem constante falta de ar, aquela tossinha que não pára, catarro freqüente de cor amarelada ou esverdeada e até dificuldade para falar. Tudo isso é ocasionado porque o indivíduo não consegue captar oxigênio em quantidade suficiente, já que seus pulmões foram corroídos pela fumaça do cigarro. Em estágio avançado, o paciente pode necessitar ficar conectado a um balão de oxigênio para efetuar as atividades cotidianas. No sistema cardiovascular, os efeitos do cigarro podem ser ainda mais devastadores. Pesquisas mostram que o fumo acelera o processo de envelhecimento dos vasos arteriais, contribuindo para seu endurecimento e entupimento. A conseqüência é a diminuição da passagem de sangue para os tecidos e células de todo o organismo. Para piorar o quadro, a nicotina - a única substância no cigarro que causa dependência - age como um vasoconstritor (fecha os vasos), reduzindo a oferta de oxigênio para as células. Com isso, a pessoa fica mais predisposta a um infarto ou um derrame cerebral.Já as mulheres fumantes precisam ficar atentas a mais um fator agravante. O fumo durante a gestação aumenta as chances de descolamento da placenta, aborto espontâneo, baixo peso do recém-nascido, prematuridade e risco de morte do feto durante o parto ou após o nascimento.Inimigo ocultoAlém da saúde, o fumo também compromete a beleza. Em virtude da queda no suprimento sangüíneo para a pele, acontecem alterações nos tecidos cutâneos que ocasionam rugas mais profundas e intensas do que as causadas pelo sol. Isso sem falar que a tez fica áspera e seca. Ou seja, a pessoa pode aparentar ter cinco anos a mais do que sua idade real. Os fumantes também produzem menos colágeno e elastina, acentuando a flacidez. O biquinho que a pessoa faz para tragar favorece o aparecimento de rugas em torno dos lábios. Para completar, o cigarro pode causar manchas escuras nos dentes, problemas nas gengivas e mau hálito.


Rumo à liberdade: Considera-se uma pessoa bastante dependente aquela que fuma mais de 20 cigarros (um maço) por dia e acende o primeiro antes dos trinta minutos após acordar.


Mas, segundo os especialistas, qualquer fumante pode abandonar o vício em três passos:


1. Motivação individual: Para o pneumologista Jonatas Reichert (PR), presidente da Comissão de Tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, este é o fator primordial para que o fumante tenha êxito no processo todo.

2. Marcar uma data para a parada: Vale seu aniversário, dias festivos ou qualquer outro período que tenha relevância para você. Nessa fase, também é necessária uma mudança de hábitos, afastando-se dos fatores atrativos ao fumo, como beber e tomar café.

3. Pedir socorro a um profissional: Apenas 5% das pessoas conseguem parar de fumar sem auxílio de terceiros. A prescrição de medicamentos só é realizada depois de o paciente ter passado por todos os outros estágios e estar determinado de que é isso mesmo que quer.Dê olho na bulaEntre os tratamentos disponíveis no mercado estão a reposição de nicotina, que é baseada na utilização de adesivos ou goma de mascar; e a bupropiona, droga que age no sistema nervoso central, liberando as mesmas substâncias relacionadas ao prazer da nicotina. Normalmente, é feita uma associação desses dois métodos. A explicação para tal fato é que a reposição de nicotina vai fazer com que o paciente abandone o tabaco lentamente, ou seja, a dosagem é gradualmente diminuída até cessar por completo, em média, leva-se dois a três meses. A vantagem é que a pessoa não corre o risco de ficar viciada no adesivo, que deve ser colocado logo após o banho matinal e retirado no dia seguinte.Já a bupropiona suprirá a necessidade das substâncias que há anos vêm sendo injetadas no organismo pela ação da nicotina. O tempo de uso dessa droga é maior do que o da reposição. Por isso, que o adesivo é removido antes para só depois começar o processo gradativo da bupropiona, que demora cerca de seis meses.
Primeiros obstáculos: É impossível enumerar todos os benefícios que o paciente tem com o abandono do vício, mas entre os principais estão a melhora na qualidade de vida e a redução na incidência das doenças relacionadas ao fumo. Após 20 minutos de interrupção, a pressão arterial e ritmo cardíaco já voltam aos níveis iniciais. Depois de três semanas, a respiração e a circulação melhoram. No primeiro ano, o ex-fumante tem cerca de 50% menos chance de sofrer um infarto. Para as doenças mais demoradas, como o DPOC e o câncer, há a necessidade de mais ou menos 15 anos para se igualar ao nível de uma pessoa que nunca fumou. É preciso lembrar, no entanto, que o processo de abandono gera alguns desconfortos nos pacientes, que, muitas vezes, são as principais causas de recaída. Veja quais são eles:
Síndrome da abstinência: Ela inicia-se nas primeiras horas depois da interrupção e vai aumentando nas 12 horas seguintes até atingir o seu auge no segundo ou terceiro dia. Os sintomas mais evidentes são irritabilidade, ansiedade, dificuldade de concentração e agitação. Em alguns fumantes, pode levar até um mês para passar.
Ganho de peso: Em média, uma pessoa chega a engordar 3 kg, mas há casos de pacientes que aumentaram até 15 kg. A explicação é simples: a pessoa substitui uma compulsão por outra e troca o velho hábito de fumar por um doce. (Fonte: Terra)

Exemplo Brasileiro

Como o Brasil, Grã-Bretanha usará fotos contra o fumo:


A exemplo do que aconteceu no Brasil e no Canadá, uma legislação publicada na Grã-Bretanha, nesta quarta-feira, prevê o uso de imagens que mostram os efeitos maléficos do tabaco para desestimular o hábito de fumar.
De acordo com as novas regras, todos os maços de cigarro deverão ser produzidos com as fotos a partir de outubro do ano que vem.
No caso das embalagens de produtos com tabaco, a medida deverá ser aplicada até 30 de setembro de 2009.
Um total de 15 imagens foram escolhidas para a campanha após uma consulta popular. Entre elas, está uma foto que mostra dois pulmões lado a lado, um sadio e o outro de um fumante, com manchas escuras causadas pelo tabaco.


Estímulo:
O ministro da Saúde britânico, Alan Johnson, disse à BBC que já há evidências em outros países de que a divulgação de imagens pode ajudar as pessoas a largarem o vício.
"Nós acreditamos que a iniciativa vai ajudar várias pessoas que querem deixar de fumar. A vasta maioria dos fumantes quer largar o vício e essa idéia vai representar um estímulo a mais", avaliou Johnson.
"Fumar pode causar uma morte lenta e dolorosa", diz o cartaz
A nova legislação foi publicada dois meses depois de a Inglaterra ter proibido o uso do tabaco no interior de prédios públicos, bares e restaurantes.
O governo britânico já havia prometido usar imagens na campanha contra o tabaco em 2004 e, nos últimos anos, a Comissão Européia vem pressionando os países-membros a adotarem a medida.


"Vitimização"
Com a nova legislação, a Grã-Bretanha deve ser o primeiro país europeu a divulgar as imagens em todas as embalagens de produtos de tabaco.
Autoridades de saúde avaliam que a estratégia atual de trazer apenas dizeres contra o fumo nas embalagens se tornou ineficiente.
O porta-voz do grupo britânico de lobby pró-fumantes Forest, Neil Rafferty, descreveu a iniciativa como a "vitimização" dos fumantes.
"Poderia-se usar o mesmo argumento para divulgar imagens em garrafas de bebidas alcoólicas, mas como a maioria das pessoas gosta de beber álcool, o governo não quer ofendê-las", argumenta.
No Brasil, os maços de cigarro vêm carregando fotos para desestimular o tabagismo desde fevereiro de 2002.

Fumantes querem parar!

83% dos fumantes dizem que gostariam de parar:

Dalva Maria de Mendonça, 54, é uma bem-sucedida secretária executiva em Brasília, mas coleciona fracassos quando o assunto é parar de fumar. Fumante desde os 14 anos, ela busca parar desde os 29. Nesses 25 anos, já tentou de tudo: aplicação de raio laser no lóbulo da orelha, adesivo para repor nicotina, chiclete, remédios e piteiras. "Só não coloquei o cigarro no copo d`água e tomei no dia seguinte", conta. Dalva é um caso extremo pela dificuldade, mas seu desejo é a regra: 83% dos fumantes querem parar de fumar, segundo pesquisa feita pelo Datafolha com 2.771 pessoas a partir de 16 anos (a margem de erro é de dois pontos percentuais). Como Dalva, 69% dos fumantes já tentaram parar e fracassaram.O cigarro é a principal causa de morte evitável, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). No Brasil, 200 mil morrem por ano de doenças relacionadas ao tabaco. Pesquisas mostram que o percentual de fumantes que quer deixar o vício sempre supera os 60%. Nos EUA e na Grã Bretanha, essa taxa é de 75% e 73%, respectivamente. O surpreendente no caso brasileiro é o fato de o país ter índices que superam EUA e Inglaterra. A taxa dos que querem deixar de fumar é um dos melhores indicadores do nível de informação sobre os males do fumo, segundo a médica Vera Luiza da Costa e Silva, que dirige em Washington a área de combate ao tabagismo da OPAS (Organização Panamericana da Saúde). "O Brasil vai muito bem em informação sobre fumo, parece até um país nórdico", afirma Vera. "A foto no maço universalizou o conhecimento sobre os problemas do cigarro". As imagens nos maços foram adotadas em 2002. No ano seguinte, as fotos ficaram maiores e mais chocantes. O Brasil foi o segundo país do mundo a usar esse tipo de contra-propaganda, depois do Canadá. A União Européia, vanguarda em saúde pública, só tornou obrigatórias as fotos em 2004. Se o Brasil é uma Noruega nos alertas, o sistema de tratamento patina no Terceiro Mundo, segundo a psiquiatra Luizemir Lago, diretora do Centro de Referência para Álcool, Tabaco e Outras Drogas, do governo paulista. O SUS (Sistema Único de Saúde) só começou a fazer tratamentos em larga escala em 2005. O INCA (Instituto Nacional de Câncer) estima que 19 milhões querem parar de fumar, mas só 44.269 foram atendidos nesses três anos o equivalente a 0,2%. "É muito pouco", diz Tânia Cavalcante, que coordena o programa de combate ao tabagismo do INCA. "Estamos construindo um sistema e isso leva tempo no Brasil".Como o SUS não contava com profissionais especializados nesse tipo de tratamento, o programa começou do zero, com o treinamento de médicos. Quantidade de pacientes não é o único problema do programa. A entrega dos remédios – adesivos, chiclete e bupropiona – é irregular, segundo Luizemir. No ano passado, por exemplo, São Paulo recebeu remédios duas vezes, de acordo com Luizemir. Se o governo paulista não comprasse as drogas por conta própria, os tratamentos teriam de ser interrompidos. O INCA confirma que a entrega de remédios sofreu interrupções porque a indústria não tinha estoques. Não que o tratamento seja baseado em drogas. "Todo mundo quer uma pílula mágica para deixar de fumar e isso não existe", diz Tânia.Num protocolo criado pelo INCA, há a estimativa de que 40% deixam o cigarro sem recorrer a remédios. Os que precisam de drogas também são submetidos a sessões de terapia. "Só remédio não funciona porque é necessária uma mudança de comportamento. A pessoa precisa desenvolver habilidades para substituir o cigarro", afirma Tânia.A terapia é imprescindível porque a dependência do cigarro envolve um componente químico e um vetor comportamental, segundo Luizemir: "Há pessoas que não se reconhecem sem o cigarro na mão. Para deixar o cigarro é preciso reformatar a personalidade". É por isso que os especialistas repudiam a idéia de que faltou vergonha na cara aos que fracassam. "Não é uma questão moral", diz Tânia. A dependência de cigarro é tão grave quanto a de cocaína e de heroína.
Fonte : Folha de São Paulo

Aliança de Controle do Tabagismo

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