Tabagismo passa a fazer parte de pesquisa do IBGE


Foi dada a largada para a Pesquisa Nacional para Amostra de Domicílios, a Pnad 2008. Pesquisadores do IBGE já estão nas ruas para colher dados sociais e econômicos dos brasileiros; serão 150 mil residências visitadas até dezembro. O questionário investiga características sobre a renda, a escolaridade e o consumo dos domicílios selecionados. Este ano, porém, há um interesse especial pela saúde, resultado de um convênio com o Ministério da Saúde. A pesquisa quer saber detalhes como: se as famílias possuem plano de saúde, com que freqüência fazem uso de medicamentos e a quantidade de brasileiros que faz algum tipo de atividade física. O tabagismo também é ponto-chave da coleta de dados. Através da Pesquisa Especial de Tabagismo (Petab), os funcionários do IBGE vão perguntar sobre a quantidade do consumo, se a pessoa já fumou ou não e qual a periodicidade do fumo. Aproximadamente 50 mil domicílios da amostra vão responder a este questionário, que também será utilizado em outros 15 países.A Pnad 2008 conta com parceiros nacionais e internacionais, tais como: Ministério da Saúde, Fiocruz, Instituto Nacional do Câncer, Secretaria de Vigilância Sanitária, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Organização Mundial da Saúde, Organização Panamericana da Saúde, Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health (JHSPH), Centro de Controle e Prevenção de Doenças e Filantropias Bloomberg. O resultado da pesquisa está previsto para 2009.
Fonte : Por um Mundo sem Tabaco

Encontros internacionais mobilizam controle do tabaco na América Latina

O Brasil protagonizará dois encontros internacionais no Rio para fortalecer as estratégias voltadas ao controle do tabagismo. No primeiro, em 29 de outubro, os países do Mercosul buscarão firmar um posicionamento conjunto visando à realização da Conferência das Partes da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, em novembro, na África do Sul. Já no Seminário Internacional para Promoção de Ambientes Livres de Fumaça do Tabaco nos Países Ibero-Americanos, dias 30 e 31, o objetivo será discutir propostas para o controle do tabagismo passivo. Em ambos a participação é restrita. Em agosto, o INCA publicou pesquisa que mostra que, a cada dia, sete brasileiros morrem por doenças causadas pela inalação involuntária da fumaça do cigarro. Nesta quarta-feira, 22/10, a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado Federal analisará o projeto de lei que proíbe o uso de produtos derivados do tabaco em ambientes coletivos fechados.
Estratégias comuns no MercosulOs países membros do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela) e os países associados (Bolívia, Chile, Colômbia, Peru e Equador) discutem estratégias comuns para favorecer a implantação de medidas estabelecidas pela Convenção Quadro para o Controle do Tabaco. Na 9ª Reunião da Comissão Intergovernamental de Controle do Tabaco (CICT), marcada para 29 de outubro, eles farão propostas que serão apresentadas na próxima reunião da Conferência das Partes (COP), de 17 a 21 de novembro em Durban na África do Sul. A Conferência das Partes é o órgão que examina regularmente os aspectos técnicos, processuais e financeiros da implementação do tratado nos países signatários. Reconhecido como um dos líderes mundiais no controle do tabagismo, o Brasil exerce atualmente a presidência pro tempore do Mercosul, o que reforça a importância da pauta.
Tabagismo passivo será o foco da RIACTCom o apoio da Organização Pan-Americana da Saúde e da “Iniciativa para Reduzir o Tabagismo”, da Fundação Bloomberg, dos EUA, e tendo o Instituto Nacional de Câncer como coordenador, a Rede Ibero-Americana de Controle do Tabagismo (RIACT) se reúne em 30 e 31 de outubro para trocar experiências e discutir os males que o tabagismo passivo provoca à saúde da população. O tabagismo passivo é a terceira maior causa de morte evitável no mundo, superada apenas pelo tabagismo ativo e o consumo excessivo de álcool. As orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) estipulam que lugares públicos e ambientes de trabalho sejam 100% livres de fumaça do tabaco.
Em agosto, durante as comemorações pelo Dia Nacional de Combate ao Tabagismo, o INCA lançou o estudo “Mortalidade atribuível ao tabagismo passivo na população brasileira” (leia mais). A pesquisa, uma das poucas existentes no mundo sobre o tema, revelou que as doenças provocadas pela exposição passiva à fumaça do tabaco matam diariamente ao menos sete brasileiros. Pelo menos 2.655 não-fumantes são vítimas fatais do tabagismo passivo por ano. A maioria das mortes ocorre entre mulheres (60,3%).
Entre os países da Rede Ibero-Americana de Controle do Tabagismo, o Uruguai é o pioneiro na América Latina a tornar seus ambientes públicos e privados 100% livres da fumaça do tabaco. O Brasil luta atualmente no Congresso para aprovar a alteração da Lei Federal nº 9294/96, que ainda permite áreas reservadas para fumar, que não impedem o contato com a fumaça. Nesta quarta-feira, 22/10, o Projeto de Lei do Senado (PLS) 315/08, de autoria do senador Tião Viana (PT - AC), que proíbe o uso de produtos derivados do tabaco em ambientes coletivos fechados estará na pauta da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado Federal. A proposição teve voto favorável da senadora Marina Silva (PT - AC) e ainda será apreciada pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS), onde tem decisão terminativa.

O perigo do fumo passivo...

De cada 10 crianças brasileiras, entre quatro e seis vivem em casas onde se fuma:

Apesar de não colocar cigarros na boca, um terço da população mundial está sujeita aos males do tabaco. São os fumantes passivos ou involuntários, grupo que tem 30% mais chances de sofrer de uma doença coronária por inalar fumaça alheia, segundo um estudo de cientistas guatemaltecos apresentado no mês de maio no 16° Congresso Mundial de Cardiologia, realizado na Argentina.

O aparecimento de doenças depende do volume de fumaça inalada e do tempo de exposição. No estudo da Guatemala, os pesquisadores constataram alterações na função das artérias dos não-fumantes em 30 minutos de exposição à fumaça. A longo prazo, isso pode representar um risco duas a três vezes maior de desenvolver câncer de pulmão.

No mundo, a Organização Mundial de Saúde estima que o número de fumantes passivos alcance 2 bilhões de pessoas, sendo 700 milhões de crianças. A quantidade é superior ao número de fumantes ativos, estimado em 1,2 bilhão de pessoas - desses, 30 milhões são brasileiros. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer não tem dados sobre o número de fumantes passivos.

Para o pneumologista Alexandre Milagres, coordenador do Programa de Controle do Tabagismo do Hospital Municipal Raphael de Paula Souza, do Rio, o surgimento de doenças nos fumantes involuntários também está relacionado à predisposição genética. No caso de um casal em que o marido fuma e a mulher convive com a fumaça, seria como se a mulher desenvolvesse câncer de pulmão por ter predisposição genética e o marido, não.

– O fumante sem predisposição genética é capaz de fumar uma quantidade grande de cigarros por toda a sua vida e não desenvolver o câncer de pulmão. Já a mulher desse paciente, se conviver com ele por longo tempo aspirando fumaça, pode desenvolver a doença sem nunca ter fumado – explica o médico.

Em geral, os males que atingem os fumantes passivos são os mesmos que afetam as pessoas que têm o hábito de fumar. Para os não-fumantes, a fumaça mais prejudicial é a que sai direto da brasa do cigarro, chamada de corrente lateral. Ela libera no ambiente cerca de 4,7 mil substâncias tóxicas, uma parte delas cancerígena. Já a fumaça expelida pela boca ou pelas narinas, chamada de corrente principal, tem menos agentes tóxicos, uma vez que parte fica retida no filtro do cigarro ou é absorvida pelo organismo do fumante.

Nos fumantes involuntários adultos, a fumaça aumenta os riscos de acidente vascular cerebral, câncer de pulmão, infarto e angina (dor no peito), além do agravamento de problemas respiratórios, como enfisema, bronquite e asma.

Segundo o pneumologista do Complexo Hospitalar Santa Casa Luiz Carlos Corrêa da Silva, coordenador do Programa Fumo Zero, da Associação Médica do Rio Grande do Sul, o principal problema da fumaça é a inalação de monóxido de carbono, que prejudica a ação da hemoglobina, proteína que transporta o oxigênio pelo organismo.

Infância sob o risco do cigarro

Sob a fumaça do cigarro de pais e familiares, uma legião de crianças está exposta a doenças do mundo dos fumantes. De cada 10 crianças brasileiras, entre quatro e seis vivem em casas onde o hábito de fumar é uma prática freqüente do pai, da mãe ou de ambos, segundo a Sociedade Americana de Câncer.

No mundo, 700 milhões de crianças são fumantes passivos, conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Ao conviver com uma pessoa que fuma um maço (20 unidades) por dia, o fumante passivo inala o equivalente ao consumo de três cigarros. Em um mês, de acordo com pesquisa da Universidade de Toledo, nos Estados Unidos, é como se a criança fumasse 90 cigarros.

De acordo com o pneumologista José Miguel Chatkin, coordenador do Programa de Cessação do Tabagismo e professor da Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), as crianças que convivem com fumantes estão mais propensas a otites, bronquites, pneumonias e asma, o que favorece o aparecimento de sintomas respiratórios, como tosse, catarro e falta de ar.

Quanto mais jovem uma pessoa é, mais nocivos são os efeitos do cigarro no seu organismo. Nos recém-nascidos, a inalação da fumaça aumenta o risco de infecções, pneumonias e de incidência da síndrome da morte súbita infantil, que acomete principalmente bebês nos primeiros seis meses de vida.

Mesmo dentro da barriga da mãe, a criança está desprotegida do cigarro. Quando a mãe dá uma tragada, as substâncias tóxicas inaladas são transmitidas ao feto por meio da corrente sangüínea e do cordão umbilical.

– Vejo mães fumando durante a gestação com muita freqüência. Se a mãe segue sendo tabagista, consome de 20 a 30 cigarros por dia, que é a média brasileira. Durante os nove meses da gestação, imagine o que é a exposição desse feto – analisa o pneumologista Alexandre Milagres, coordenador do Programa de Controle do Tabagismo do Hospital Municipal Raphael de Paula Souza, do Rio.

Durante a gestação, o fumo pode provocar aborto espontâneo e parto prematuro. O bebê está mais propenso a nascer com baixo peso e a ter comprometido o seu desenvolvimento intelectual. Ao nascer, a criança dependente de nicotina entra no que os médicos chamam de período de abstinência, que resulta em choro demasiado, insônia e tensão. Entre as mães fumantes, a produção de leite é menor, e o desmame, normalmente, ocorre mais cedo do que o normal.

Ao atingir a adolescência, o filho de uma mãe fumante tem mais chances de se tornar dependente do cigarro. É como se trouxesse no cérebro lembranças da nicotina. Segundo Milagres, uma pesquisa recente constatou que a presença de um gene pode favorecer o vício:

– Antigamente, a gente dizia que cem cigarros eram suficientes para se viciar. Agora, existem genes que provam que apenas um cigarro pode ser suficiente para tornar uma pessoa dependente. Hoje, tentamos falar para as crianças que elas não devem experimentar nicotina, da mesma forma que o crack.

Crianças são maiores vítimas do fumo passivo, diz estudo

ATLANTA - Cerca de metade dos norte-americanos não fumantes ainda respiram fumaça de cigarro, mas a porcentagem diminuiu dramaticamente desde o início da década de 1990, de acordo com um estudo governamental.

A razão principal do declínio no fumo passivo é o crescente número de leis e políticas que banem o fumo nos locais de trabalho, bares, restaurantes e lugares públicos, disseram os pesquisadores do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

Outro fator é a queda no número de adultos fumantes: ele está agora abaixo de 20%, de acordo com os números de 2007 do CDC.

O novo estudo descobriu que cerca de 46% dos não fumantes tinham sinais de nicotina em seus exames de sangue feitos de 1999 até 2004. Esse número representa uma queda em relação aos 84% encontrados quando testes similares foram feitos no fim da década de 1980 e início da década de 1990.

No entanto, as autoridades pararam de celebrar. "Ainda é um número muito alto", disse Cinzia Marano, uma das autoras do estudo. "Não há algo como um nível seguro de exposição."

Cigarros causam câncer de pulmão e outras doenças fatais não apenas em fumantes, mas também nos fumantes passivos, mostra o estudo.

Para os não fumantes, o fumo passivo aumenta seu risco de câncer em cerca de 20% e de doenças do coração em 25%. Crianças expostas ao fumo passivo correm o risco de terem ataques de asma, problemas de ouvido, infecções respiratórias e síndrome da morte súbita, disseram representantes do órgão de saúde.

O novo relatório do CDC tirou seus dados da pesquisa nacional de saúde e nutrição, um estudo governamental que levas os pesquisadores às comunidades. Os participantes foram questionados sobre sua saúde, fizeram exames de sangue e físicos.

Os exames de sangue procuraram por cotinina - um subproduto da nicotina que geralmente é detectável por até cinco dias.

Os exames de sangue são importantes porque muitas pessoas subestimam sua exposição ao fumo passivo, disse Terry Pechacek, diretor associado para ciência no CDC.

O novo relatório se concentrou nos dados coletados de cerca de 17 mil não fumantes de 1988 até 1994, e mais ou menos o mesmo número de 1999 até 2004. Pessoas a partir dos 4 anos de idade foram incluídas.

O declínio do fumo passivo não foi dramático entre negros não fumantes como foi entre brancos e mexicanos. A proporção de negros expostos à nicotina caiu de 94 para 71%, enquanto para brancos a queda foi de 83 para 43% e para mexicanos de 78 para 40%.

Também preocupante é o fato de que as exposições para crianças não caíram tanto quanto para adultos. Mais de 60% das crianças de 4 a 11 anos foram expostas à nicotina de 1999 a 2004.

"Obviamente, a exposição acontece em casa", disse Thomas Glynn, diretor da Sociedade Americana do Câncer.

"Os pais precisam se conscientizar de que essa exposição é perigosa e de que eles precisam ter atitudes que garantam que suas crianças não sejam expostas ao cigarro", disse Pechacek. (Fonte: O Estadão)

Cigarros "Light" no Banco dos Réus!!!

Suprema Corte dos EUA estuda ação de fumantes 'enganados' por cigarro light.

A Suprema Corte dos Estados Unidos ouviu, nesta segunda-feira, as alegações de três fumantes que pretendem processar a empresa Altria por tê-los enganado, ao classificar seus cigarros como "light", quando esses, na verdade, não eram menos nocivos para sua saúde do que os demais no mercado.

Na audiência, os nove juízes interrogaram os advogados sobre o caso, que pode ter importantes conseqüências financeiras para as companhias, processadas por vários ex-fumantes, com base na jurisprudência estabelecida.

Os juízes censuraram o Estado e sua Comissão Federal do Comércio (FTC, sigla em inglês) por estarem conscientes, há pelo menos dois anos, de que os cigarros "light" são tão perigosos para a saúde quanto os outros e por não terem agido em seguida.

"Induziram ao erro todos aqueles que compram esses cigarros há muito tempo", declarou o juiz Samuel Alito ao advogado representante do governo de George W. Bush e da FTC, Douglas Hallward-Driemeier, que tentava apoiar a posição dos três fumantes contra a Altria.

Apesar dessa polêmica, o caso está centrado, de fato, na possibilidade de as companhias de cigarro usarem todas as técnicas de marketing para promover seus produtos.

A epidemia do fumo

Por: Dráuzio Varella

Cada vez menos gente fuma no Brasil. É o que comprova o resultado da pesquisa conduzida pelo Ministério da Saúde em sete capitais brasileiras, publicado na última semana de março de 2004: o número de dependentes de nicotina no país é de aproximadamente 20%.
Tendo em vista que, nos países industrializados, entre 22% e 25% da população fuma, e que alguns deles investem grandes somas na prevenção e no tratamento do tabagismo, nossos números se tornam especialmente expressivos.
Afinal, para um país que investe quase nada em prevenção e muito menos em tratamento para fumantes desejosos de se livrarem da dependência, e que até ontem era complacente com o cinismo da publicidade do cigarro em horário nobre na TV, o resultado é surpreendente.
Embora a falta de estudos semelhantes no passado não permita avaliar com precisão a velocidade com a qual a epidemia de tabagismo se dissemina, certamente está ocorrendo uma queda expressiva na prevalência de fumantes. Basta lembrarmos da porcentagem de adolescentes que fumava nos anos 1960 e a dos que fumam hoje.
Naquela época, o impacto da propaganda do cigarro era universal: no cinema, na TV, no rádio e na música, todos os astros e estrelas fumavam sem parar. Que adolescente conseguia resistir ao charme dos lábios de Rita Hayworth assoprando a fumaça para o céu?
É verdade que já nos anos 1950 numerosos estudos haviam demonstrado que fumar provoca câncer, enfisema, ataque cardíaco e muitas outras doenças, mas a estratégia de defesa adotada pela indústria do tabaco foi a do contra-ataque: de um lado contratava técnicos para criticar a metodologia empregada nessas pesquisas; de outro, pressionava os meios de comunicação para garantir que não fossem divulgadas. Qualquer jornal, emissora de rádio ou de televisão que ousasse levantar a menor suspeita de que o cigarro pudesse trazer algum malefício à saúde sofria retaliação financeira imediata.
A partir da Segunda Guerra Mundial, essa compra de espaço nos meios de comunicação, aliada a um tipo de publicidade dirigida sem nenhum pudor para aliciar as crianças, alastrou a epidemia da dependência de nicotina pelo mundo inteiro. Na história do capitalismo, raros crimes contra a humanidade foram executados com tal premeditação.
Mas os tempos mudaram. O poder dos fabricantes de cigarro nos dias de hoje é sombra anêmica do passado. Legalmente impossibilitados de inserir comerciais nos jornais, no rádio e na TV, como coagir a imprensa?
Como impedir campanhas para motivar fumantes a largar o hábito de fumar, como a apresentada em rede nacional pelo "Fantástico" no ano passado?
A perda de acesso aos meios de comunicação de massa, o peso das evidências médicas ao demonstrar que o fumo é a principal causa de morte evitável em nosso país e a ameaça de serem obrigados a pagar indenizações milionárias às famílias dos que morreram por causa do cigarro obrigaram os fabricantes a adotar nova estratégia: a do silêncio. Quietinhos, têm a esperança de continuar seus negócios sem chamarem a atenção. Enquanto existirem viciados que comprem um maço por dia do fornecedor, haverá faturamento, devem pensar.
Os números publicados pelo Ministério da Saúde deixam claro que estavam enganados os céticos: é possível refrear a disseminação da epidemia do fumo, basta haver disposição da sociedade e seriedade política. Para isso, algumas das medidas sugeridas pelos técnicos podem ser implantadas a curto prazo, sem ônus para o tesouro:
1)
Aumento de impostos. Em nenhum país civilizado é possível comprar um maço de cigarros por meio dólar. Está exaustivamente provado que, quanto mais caro o maço, menor o número de cigarros fumados;
2)
Proibir todos os tipos de publicidade. Toda e qualquer propaganda de uma droga que provoca um tipo de dependência tão difícil de vencer, tanto sofrimento físico e tantos óbitos, para viciar meninas e meninos em nome do lucro, deve ser punida como crime inafiançável;
3)
Incluir no currículo obrigatório das escolas aulas sobre os problemas causados pelo cigarro;
4)
Proibir o fumo em lugares públicos. Não está certo obrigar quem não fuma a inalar fumaça alheia. Embora não seja obrigação do Estado proteger o cidadão contra o mal que ele pode fazer a si mesmo, é seu dever protegê-lo do mal que os outros podem fazer contra ele. Além disso, não há dúvida de que a proibição ajuda o fumante a adquirir mais controle sobre a dependência;
5)
Oferecer tratamento gratuito para os que quiserem largar o hábito de fumar. Hoje existem grupos de apoio, adesivos e chicletes de nicotina, além de medicamentos que ajudam a vencer as crises de abstinência. É ignorância deixar de oferecê-los gratuitamente aos fumantes, ainda que não seja por razões humanitárias: sai muito mais em conta do que esperá-los ter câncer, infarto, derrame cerebral.

Astros de Hollywood recebiam fortunas para promover fumo


Clark Gable, Cary Grant, Spencer Tracy, Joan Crawford, John Wayne, Bette Davis e Betty Grable receberam dinheiro para promover o tabagismo, de acordo com pesquisadores da Universidade de Nova York.
As fabricantes de cigarro pagavam altas somas para que astros e estrelas dos "Anos de Ouro" de Hollywood promovessem seus produtos.
Documentos liberados pela indústria depois de processos judiciais de grupos de combate ao tabagismo revelam a extensão da relação entre estas empresas e os estúdios de produção cinematográfica.
Uma empresa pagou mais de US$ 3 milhões (em valores de hoje) em um ano para as estrelas.
Em artigo na revista Tobacco Control, pesquisadores disseram que filmes "clássicos" das décadas de 30, 40 e 50 ainda ajudam a promover o fumo hoje.
Praticamente todos os grandes nomes da época estavam envolvidos no merchandising de cigarros, de acordo com os pesquisadores da Universidade de Nova York. Eles tiveram acesso a contratos de merchandising assinados na época para ajudá-los no cálculo do montante de dinheiro envolvido.

'O cigarro dos atores'
Há acordos que datam do começo da era do cinema falado. O astro de O Cantor de Jazz (Jazz Singer), Al Jolson, assinou testemunhos dizendo que Lucky Strike era "o cigarro dos atores".
Um dos documentos-chave descobertos pelos pesquisadores foi uma lista de pagamentos por um único ano no final da década de 30, detalhando o quanto as estrelas eram pagas pela American Tobacco, fabricante da marca Lucky Strike.
Carole Lombard, Barbara Stanwyck e Myrna Loy receberam US$ 10 mil (equivalente a quase US$ 150 mil hoje), para promover a marca. O mesmo ocorreu com Clark Gable, Gary Cooper e Robert Taylor.
No total, foram pagos aos atores o equivalente, hoje, a US$ 3,2 milhões.
Em alguns casos, os fabricantes de cigarro pagaram os estúdios para criar programas de rádio que incluíam a promoção feita por suas estrelas.
A American Tobacco pagou à Warner Brothers o equivalente a US$ 13,7 milhões por Your Hollywood Parade, em 1937, e patrocinou The Jack Benny Show de meados da década de 40 a meados da década de 50.
Entre os depoimentos cuidadosamente preparados incluídos em The Jack Benny Show está o de Lauren Bacall.

Efeitos duradouros
Os pesquisadores, liderados por Stanton Glantz, disseram que os efeitos dos milhões investidos pela indústria do tabaco em Hollywood ainda podem ser sentidos hoje, apesar de uma recente proibição imposta pela própria indústria do cinema à promoção do tabagismo em filmes.
Eles disseram que as imagens ligadas ao ato de fumar incluídas nos filmes podem influenciar os jovens fazendo-os adotar o hábito. "Como na década de 30, nada impede hoje que a indústria global do tabaco influencie a indústria do cinema de várias formas."
Filmes "clássicos" com cenas de fumo, tais como Casablanca e Estranha Passageira (Now, Voyager), e imagens glamurosas de publicidade ajudaram a "perpetuar a tolerância pública" do tabagismo na tela, disseram os pesquisadores.
A ONG britânica contra o tabagismo, ASH, disse que imagens ligadas ao hábito de fumar não podem ser excluídas totalmente, mas podem haver alertas mais claros antes da exibição dos filmes.

Cigarro eletrônico é desaconselhado para deixar vício, diz OMS


Parar de fumar fumando é o sonho de consumo dos fumantes. E há sites que prometem exatamente isso: vendem o cigarro eletrônico como uma forma de fumar sem prejudicar a saúde e sem importunar as pessoas.

O produto é anunciado como um tratamento antitabagismo altamente eficaz. Mas há uma semana a OMS (Organização Mundial da Saúde) lançou um alerta, desaconselhando o método.

"Da forma como [o produto] está sendo comercializado, é um engodo", afirma Paula Johns, diretora da ACT (Aliança de Controle do Tabagismo). Não há nenhuma evidência científica sobre sua segurança e ele não pode ser apresentado como tratamento. "Há um consenso brasileiro sobre os tratamentos aprovados, e esse cigarro não está incluído", diz Johns.

Há pelo menos um site brasileiro vendendo a engenhoca como tratamento. Por R$ 380, entrega-se o produto em qualquer lugar do país. Basicamente, é um tubinho de aço com um cartucho de nicotina, que é aspirada com vapor d"água em quantidades determinadas.

Sergio Ricardo Santos, coordenador do PrevFumo, núcleo de prevenção ao tabagismo da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), diz que o grande problema é que o método mimetiza o ritual do ato de fumar.

"Outras formas de reposição de nicotina, como adesivos ou goma de mascar, não são prazerosas. O cigarro eletrônico é e, portanto, não atua nos gatilhos comportamentais que estimulam a vontade de fumar. E dificilmente alguém abandona o cigarro sem mudar o seu comportamento em relação a ele."

Fumo e direção não combinam!

Fumar ao volante

Um alerta aos motoristas mais desavisados: fumar dirigindo, além de ser prejudicial à saúde será também prejudicial ao bolso. E não importa se as duas mãos estão no volante, fumar durante o ato de dirigir será motivo de infração, pelo menos é o que prevê uma nova lei que está para ser aprovada pela Câmara Federal.A proposta já foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado e prevê multa de R$ 85,13, além de perda de quatro pontos na carteira do motorista fumante.Atualmente, a legislação não faz menção ao ato de dirigir fumando. O artigo 252 estabelece que não se pode dirigir apenas com uma das mãos no volante ou com o braço para fora da janela sem, contudo, fazer qualquer menção ao cigarro.O código considera infração jogar bitucas ou outros objetos nas vias públicas. Agora, com a nova lei em curso, fumar será perigoso para quem fuma, mesmo que o cigarro esteja na boca e as duas mãos no volante. Não importa: fumar dirigindo dará multa e perda de pontos na CNH.Especialistas afirmam que um em cada quatro acidentes poderia ser evitado se o motorista estivesse atento. A afirmação é da agência responsável pela segurança nas estradas americanas. "Nos Estados Unidos, por exemplo, uma das maiores causas de acidentes de trânsito por distração é a pessoa dirigir enquanto está se barbeando", aponta o professor da Universidade Católica de Brasília, Adolfo Sachsida. Sem contar que nos EUA os carros trazem o câmbio automático, sem a necessidade de usar as mãos para trocar de marchas.A Prefeitura de Dourados vem fazendo a lição de casa. Em parceiras com SEST, SENAC, a prefeitura realiza curso "Por que Ensinar Trânsito nas Escolas", com o Comitê Temático Trânsito, que faz parte do Programa Educacional de Humanização do Trânsito. O curso, a cada semestre, é voltado para professores da Rede Pública e Privada. O que se pretende é levar informação didática e precisa às crianças em relação ao trânsito. Além do mais o fumante passivo, aquele que inala a fumaça de terceiros, comprovadamente faz parte das estatísticas de morte.Pesquisa realizada por cientistas do Instituto Nacional do Câncer (INCA) e do Instituto de Estudos de Saúde Coletiva da UFRJ, "que teve como alvo a população urbana, revelou pela primeira vez números impressionantes: pelo menos 2.655 indivíduos não-fumantes expostos involuntariamente à fumaça do tabaco morrem a cada ano no Brasil; ou seja, sete pessoas por dia. A maioria das mortes ocorre entre mulheres (60,3%), já que há mais fumantes do sexo masculino." O trabalho está no site do INCA. Portanto, não só ao volante, mas em qualquer lugar o cigarro é letal para quem fuma e para quem não fuma. Basta estar próximo.
*Superintendente de Transporte e Trânsito - Prefeitura de Dourados-MSConselheiro do CETRAN

Fumar é genético, dizem pesquisas

O gosto pelo cigarro, afirmam pesquisadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, é ligado à genética. Um gene variante, detectado normalmente em fumantes, seria o responsável por tal dado. Aqueles que experimentam o primeiro cigarro e sentem prazer de cara têm mais chances de possuir o gene e se tornar viciado na droga.

O estudo espera desvendar o código genético dos dependentes de nicotina, o que pode tornar mais fácil o desenvolvimento de drogas anti-fumo e a conscientizaçã o de que certas pessoas têm maior tendência ao vício.

O gene em questão, o CHRNA5, já havia sido mencionado em outros estudos sobre a nicotina. É sugerido que ele aumenta as chances, inclusive, do desenvolvimento do câncer de pulmão.

Cerca de 435 voluntários foram submetidos a testes, alguns eram fumantes regulares, enquanto outros já haviam provado a droga, mas não eram viciados.

O líder da pesquisa, Prof Ovide Pomerleau, afirmou que "aparentemente, algumas pessoas têm um código genético que faz com que a primeira exposição à nicotina determine o vício posterior".

Porém, para o Dr Marcus Munafo, da Universidade de Bristol, na Irlanda, o estudo é interessante, mas não muda a prática dos tratamentos de imediato. "A pesquisa nos faz entender o mecanismo do vício na nicotina, mas em termos práticos temos que continuar a fazer o que já fazíamos em relação ao cuidado com fumantes", defende Munafo.


ANNA MONTEIRO
Diretora de comunicação

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