O vício em cigarro é um problema de saúde pública que pode afetar o
organismo de diferentes maneiras. Isso porque ele contém milhares de
substâncias químicas, muitas delas tóxicas e cancerígenas, capazes de provocar
danos progressivos ao corpo. O hábito de fumar aumenta o risco de doenças
cardiovasculares, respiratórias e diversos tipos de câncer, além de favorecer
complicações que podem colocar a vida em risco.
Alan Ricardo de
Souza, coordenador do curso de Farmácia da Faculdade Anhanguera, destaca que o
tratamento do tabagismo precisa ser encarado como um
processo de cuidado contínuo, envolvendo estratégias farmacológicas, mudanças
comportamentais e suporte emocional.
“O tabagismo é uma dependência química reconhecida pela Organização
Mundial da Saúde (OMS). Muitas pessoas acreditam que parar de fumar depende
apenas de força de vontade, mas, na prática, o organismo cria dependência
física e psicológica da nicotina. Por isso, existem estratégias terapêuticas
seguras e reconhecidas que ajudam a reduzir os sintomas de abstinência e
aumentam significativamente as chances de sucesso”, explica.
1. Procurar ajuda profissional aumenta as chances de sucesso
O primeiro passo é entender que não precisa enfrentar o processo
sozinho. O acompanhamento de profissionais da saúde, como farmacêuticos,
médicos e psicólogos, auxilia na definição da melhor estratégia para cada
perfil de paciente.
“O suporte profissional ajuda justamente a controlar sintomas como ansiedade e irritabilidade, comuns nesse processo, além
de evitar recaídas. O tratamento é individualizado e depende do grau de
dependência de cada paciente”, destaca Alan Ricardo de Souza.
2.
Terapias de reposição de nicotina podem ajudar
Entre
as alternativas seguras mais utilizadas para ajudar a abandonar o vício em
cigarro, estão as terapias de reposição de nicotina, disponíveis em adesivos,
gomas de mascar e pastilhas. Esses produtos fornecem doses controladas de
nicotina ao organismo sem a exposição às milhares de substâncias tóxicas
presentes no cigarro convencional.
“O
tratamento deve ser acompanhado por profissionais de saúde habilitados, porque
o uso inadequado pode comprometer os resultados. O objetivo é reduzir
gradativamente a dependência química, minimizando os sintomas da abstinência”,
explica o coordenador.
3.
Cigarro eletrônico não é tratamento para parar de fumar
Apesar
de muitos usuários recorrerem aos dispositivos eletrônicos como
tentativa de abandono do cigarro tradicional, os chamados “vapes” não são
considerados métodos seguros para cessação do tabagismo. Além de manter a
dependência da nicotina, eles também podem conter substâncias tóxicas e causar
danos pulmonares e cardiovasculares. Os cigarros eletrônicos permanecem com a
comercialização proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária no
Brasil (ANVISA).
4.
Identifique os possíveis gatilhos
A
interrupção do tabagismo também envolve aspectos comportamentais. Alterações na
rotina podem ajudar a lidar com os gatilhos associados ao hábito de fumar. Alan
Ricardo de Souza destaca que o cigarro muitas vezes está associado a hábitos automáticos, como
tomar café, dirigir ou enfrentar situações de estresse. Identificar esses
estímulos é essencial para o tratamento.
5.
Recaídas podem acontecer e fazem parte do processo
O
coordenador reforça que recaídas não devem ser encaradas como fracasso. Isso
porque o abandono do tabagismo pode exigir múltiplas tentativas até que o
paciente consiga interromper completamente o consumo. “O mais importante é
persistir e buscar novamente o acompanhamento profissional. Cada tentativa gera
aprendizado e aproxima o paciente do sucesso definitivo”, finaliza.
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Por Camila Souza Crepaldi - Disponível em: MSN

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