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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Cigarro eletrônico, uma alternativa contestada


Propagandeado em sites como alternativa ao tratamento do tabagismo, mas proibido no Brasil, o cigarro eletrônico – também conhecido como e-cigarro – ainda é questionado por órgãos de saúde.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) desaconselha o uso desse produto a quem quer parar de fumar, orientação seguida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2009 e apoiada por entidades como a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) e Aliança de Controle do Tabagismo (ACT).

A Food and Drug Administration (FDA), agência de vigilância sanitária dos Estados Unidos, faz ressalvas aos e-cigarros em seu site, advertindo que eles podem conter ingredientes cuja toxicidade para humanos é desconhecida.

Não há comprovações científicas nem de que o cigarro eletrônico é eficiente no tratamento do tabagismo, nem da segurança de sua composição.

“A descrição desses produtos é insuficiente e as fórmulas não são patenteadas, o que não nos dá garantia de procedência”, argumenta o pneumologista Luiz Carlos Corrêa da Silva.

Em um reservatório, o cigarro eletrônico armazena uma solução de nicotina líquida, inalada pelo fumante no momento da tragada. Teria, portanto, função semelhante à de um adesivo ou goma de nicotina, com a vantagem de imitar o gesto de levar o cigarro até a boca e expelir fumaça, no caso, vapor d’água. A diferença é que os adesivos tiveram eficácia comprovada, o que não ocorre com o e-cigarro.

“A norma da Anvisa abre margem para que os fabricantes submetam produtos desse tipo à aprovação da agência, mediante apresentação de estudos toxicológicos e testes científicos específicos que comprovem as finalidades alegadas. Até hoje, nenhum estudo foi submetido a análise”, diz o chefe da unidade de controle de produtos da Anvisa, André Luiz Oliveira da Silva.

Sem efeitos contra o vício

A Anvisa categoriza esses produtos como derivados do tabaco, sujeitos, portanto, às mesmas restrições e obrigações do cigarro comum. Nesse caso, para obter autorização ao comércio, deveriam usar mensagens de advertência, em vez de divulgar benefícios à saúde. Como isso não interessa aos fabricantes, as cigarrilhas de nicotina continuam irregulares no Brasil.

“O que esses produtos fazem é propaganda enganosa, estão se aproveitando de um nicho para vender um produto com risco associado”, considera a diretora-executiva da ACT, Paula Johns.

Uma das fabricantes do e-cigarro, a americana Cigarti, alerta que “o produto contém nicotina, que é altamente viciante. Não é um dispositivo médico e não há nenhuma comprovação científica que o usuário possa deixar de fumar por causa dele”. * Colaborou Lara Ely. Fonte: AN

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